Com votação em cédula de papel, apuração será mais demorada.
Votação de projeto que derruba meta fiscal poderá ocorrer nesta quarta.
Se todas as cédulas entregues forem consideradas válidas, a expectativa é que seja apreciado nesta quarta o projeto que desobriga o governo de cumprir a meta fiscal de 2014, votação considerada prioritária pelo governo.
O quórum mínimo para votação de vetos presidenciais é de 257 deputados e 41 senadores. Na sessão desta terça, votaram 322 deputados e 43 senadores. Na hipótese de, por exemplo, 70 deputados terem votado em branco em relação a algum dos vetos, o quórum cairá para 252 deputados, o que invalidaria a votação desse veto. O mesmo vale para os senadores. Se isso acontecer, esse veto específico passará novamente a trancar a pauta do Congresso e exigirá outra votação.
Os votos anotados nas cédulas precisarão ser processados pelo Centro de Informática e Processamento de Dados do Senado Federal (Prodasen), o que inviabilizou a divulgação do resultado durante a sessão. A previsão é que o resultado seja divulgado durante a madrugada nos sites da Câmara e do Senado e publicado na edição desta quarta (26) do "Diário Oficial do Congresso".
O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), convocou para as 12h desta quarta (26) uma nova sessão, na qual os parlamentares poderão concluir as votações – se necessário – e chegar à análise do projeto sobre a meta fiscal.
Votação
Durante a sessão, os parlamentares se ativeram mais à discussão da metodologia usada na votação do que ao conteúdo dos vetos.
A oposição criticou duramente o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), porque ele decidiu usar cédulas de papel em vez do painel eletrônico, o que foi interpretado como uma tentativa de acelerar a análise a fim de abrir caminho para o projeto que trata da meta fiscal.
Dispostos a alongar a sessão, os oposicionistas defendiam uso do painel eletrônico. Dessa forma, a reunião seria mais demorada porque teriam que ser realizadas, separadamente, 42 votações. Já a votação por cédula é mais ágil em plenário porque, enquanto ocorrem os debates, os parlamentares já podem ir anotando os seus votos.
O líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN), afirmou que o governo “tratorou”, “passou por cima” dos parlamentares ao adotar a votação manual a fim de pressionar pela votação do projeto da meta de superávit.
O líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), disse que a cédula de papel só era utilizada tradicionalmente pelo Congresso porque a apreciação de vetos presidenciais era secreta, o que foi derrubado com a PEC do Voto Aberto, em novembro de 2013. Os parlamentares estão se “rebaixando” à presidente Dilma.
“Infelizmente na tarde de hoje vimos, assistimos a essa cena trágica de desmoralização do Poder Legislativo, de rebaixamento pela vontade da presidente Dilma Rousseff. Essa é a única motivação que faz com que o Congresso Nacional queira votar os vetos hoje, que estavam encalhados há meses”, declarou Mendonça após anunciar obstrução de seu partido.
Renan Calheiros negou que tenha sofrido “pressão” para agilizar a votação e lembrou que esta é a décima primeira vez que o Congresso tenta votar os vetos, acumulados desde maio.
“Não há nenhuma pressa com relação a esta sessão. Para que todos entendam, esta sessão está sendo convocada pela décima primeira vez. Então, não há pressa para nós realizarmos isso”, defendeu-se.
O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), argumentou que, se a votação ocorresse da forma como desejava a oposição, o Congresso ficaria “paralisado”.
Vetos
A Constituição garante aos deputados e senadores o poder de reverter os vetos (parciais ou integrais) dos presidentes da República a leis aprovadas pelo Congresso. Se os parlamentares aprovam a derrubada de um veto, o texto volta à forma original, tal como havia sido aprovado pelo Legislativo.
O veto mais polêmico apreciado nesta terça é o que trata das normas para criação, fusão, incorporação e desmembramento de municípios. A presidente Dilma Rousseff vetou dois projetos que tratavam do tema.
O primeiro, em novembro de 2013, foi recusado sob o argumento de que as novas regras gerariam aumento de despesas para a União. A base aliada no Senado elaborou então um novo texto, em acordo com o governo federal, tornando mais rigorosos os critérios para a emancipação de municípios. O texto foi aprovado pelo Congresso, mas, quando chegou à mesa da presidente, em agosto deste ano, foi mais uma vez vetado integralmente. Os dois vetos foram analisados nesta terça.
Nenhum comentário:
Postar um comentário