
Estela descobriu que o rapaz integrava uma quadrilha formada por um casal e sete jovens que viajava pelas cidades brasileiras como se fosse uma família. O objetivo era atrair menores com a promessa de uma vida de festas e aventuras e introduzi-los na prostituição e no tráfico de drogas. Munida dos indícios da ação criminosa, a comerciante finalmente convenceu a polícia a investigar o caso. No quinto dia de desaparecimento da menina, eles descobriram que ela havia embarcado num ônibus com uma desconhecida para Porto Alegre. Vitória foi resgatada no desembarque. Na mala, havia um pacote com meio quilo de maconha. Ainda drogada, dormiu durante cinco dias seguidos. Nos anos seguintes, mergulhou no silêncio. “Minha filha não fala no assunto”, conta Estela. “Só sei que ela foi obrigada a dormir num prostíbulo.”Dados da Secretaria Especial dos Direitos Humanos revelam que 50 mil crianças e adolescentes desaparecem a cada ano no Brasil. Em quase 80% dos casos, são jovens acima dos 12 anos que fogem de casa por conta própria ou estimulados por terceiros. No caso de crianças abaixo dessa faixa etária, o sumiço ocorre durante atividades de rotina – no trajeto para a escola, na praia, no shopping ou em brincadeira

A lei que exige o registro imediato nos casos de desaparecimento dos menores nem sempre é respeitada. “O problema é que, a cada hora que passa, a área de busca fica maior”, afirma Eliana Pedrosa, secretária do Desenvolvimento Social do governo federal, responsável pelo site http://www.desaparecidos/. mj.gov.br, o maior cadastro no País. “Não há tempo a perder”, diz. “O entendimento da maioria dos policiais é de não registrar a queixa antes de 48 horas”, afirma a deputada Bel Mesquita (PMDB-PA), autora do projeto de criação do Cadastro Nacional de Crianças Desaparecidas. “E as mães não sabem que têm o direito de registrar a queixa antes das 48 horas.” Além da falta de informação, a solução dos casos no Brasil é limitada porque nem todas as delegacias cruzam os dados entre os municípios, a divulgação das fotos é restrita a iniciativas isoladas e o trabalho de investigação é pouco especializado. Nos Estados Unidos, onde uma criança desaparece a cada 40 segundos, as operações de busca são integradas e há ampla propagação por meio de ferramentas tecnológicas. Uma das iniciativas é o “Amber Alert”, um alerta diário de desaparecimentos, divulgado pela tevê, rádio, e-mail e via SMS. O FBI ainda oferece aos policiais um treinamento específico. No Brasil, apenas os Estados de Minas Ge

“O que era voluntário passou a ser obrigatório”, afirma a deputada Bel Mesquita, em referência à divulgação facultativa dos casos de desaparecimento pelas Secretarias de Segurança Pública dos Estados. O cadastro ainda deverá disponibilizar o programa de envelhecimento, que ajusta as fotos das crianças às possíveis mudanças na fisionomia ao longo dos anos, e o cruzamento de dados pelo DNA dos familiares, para facilitar as buscas.As investigações oficiais são fundamentais, mas o papel dos familiares não termina com o registro da queixa.“A família deve acreditar na divulgação das imagens e manter as esperanças”, afirma a delegada Ana Cláudia. Um exemplo emblemático da eficácia da divulgação dos dados é o caso de Osvaldo Borges Júnior, 23 anos, o Pedrinho, raptado em 1986 logo após o seu nascimento. O garoto, desaparecido durante 17 anos, foi localizado depois que uma amiga encontrou nos sites de crianças d

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