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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Jovens especialistas formam batalhão de defesa cibernética de grandes empresas

CAROLINE BINHAM
DO "FINANCIAL TIMES"
Em algum lugar na sede da empresa de consultoria PwC (PricewaterhouseCoopers), em Londres, uma projeção de pontos multicoloridos cintila na parede branca de uma sala de reuniões.
Cada um dos pontinhos lilás ou rosados representa um passo no fascinante percurso da caça aos hackers.
Para os membros da mais nova equipe de segurança da PwC –uma matilha de investigadores cibernéticos, quase todos com idade inferior aos 30 anos–, as luzes coloridas representam sinais de alerta para outras empresas.
Para os detetives da PwC, uma sequência aparentemente aleatória de letras e números pode liberar a entrada em e-mails, permitir acesso a contas bancárias e até –possivelmente– controlar armas a milhares de quilômetros de distância.
Dan Kelly, 28, é investigador forense de códigos de computação. Ele identifica pistas que formam uma chamada "ameaça de inteligência". A equipe dele conseguiu detectar o ataque de um hacker agindo sozinho.
Acompanhando a difusão do malware, Kelly e seu pessoal puderam perceber que ele estava sendo usado contra "ativistas dos direitos humanos, contra governos e contra alvos industriais. Por isso, é muito provável que ele tenha sido criado por ordem ou com ajuda de um Estado".
A equipe de resposta cibernética da PwC, que faz também auditoria, é parte de uma fronteira em expansão na segurança privada. Cada vez mais empresas buscam proteção contra fraudes virtuais.
A PwC decidiu responder na mesma moeda, e nos últimos dois anos promoveu uma onda de contratações para criar um batalhão de mais de 80 jovens especialistas, britânicos e de outros países.
A secretaria do gabinete britânico calcula que o custo do crime cibernético para a economia do Reino Unido chegue a 27 bilhões de libras ao ano, enquanto um estudo da Casa Branca sobre política cibernética, publicado este ano, estima que o roubo de dados de empresas norte-americanas tenha custo da ordem de US$ 1 trilhão.

Richard Nicholson/Financial Times
Integrantes da equipe de defesa cibernética da PwC: Chris Doman, a nova estrela, e Dan Kelly, investigador forense de códigos de computação
Integrantes da equipe de defesa cibernética da PwC: Chris Doman, a nova estrela, e Dan Kelly, investigador de códigos de computação
CERTINHOS NÃO SERVEM
Os especialistas em questões cibernéticas são uma categoria de profissional diferente daqueles que as empresas convencionais costumam contratar. "É preciso saber que esse jovem não é certinho como o mundo dos negócios", afirma John Berriman, da PwC.
muitas das fraudes e ataques cibernéticos que os analistas investigam dependem apenas de antiquadas vulnerabilidades humanas.
O mais recente integrante da equipe digital forense, Chris Doman, 27, contratado depois de seu desempenho excepcional em uma competição do Departamento da Defesa dos EUA, o Digital Forensics Challenge, que reproduz invasões de sistemas.
Na PwC, o salário inicial para um associado sênior como Doman é de mais de 40 mil libras anuais (cerca de R$ 156 mil).
A oferta de adolescentes ou de jovens dotados da capacidade necessária a montar ataques ou defesas cibernéticas é escassa. Mas o mercado para isso –legítimo ou não– está se expandindo.
A crise econômica também pode estar engrossando as fileiras mundiais dos chamados "hackers de chapéu preto", que se envolvem em atividades ilegais.
Da mesma forma que a PwC e outras empresas tiveram de abrir as portas a candidatos menos ortodoxos, o lado criminoso teve de adotar um modelo mais empresarial. As quadrilhas muitas vezes recrutam pessoal em fóruns fechados.

Robson Matias/Folhapress

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