
O risco de o Brasil pagar o maior mico da história dos mundiais – até hoje nunca houve um caso de descredenciamento às vésperas da competição – é muito baixo, mas os alertas emitidos devem ser levados em conta. A azáfama da Copa da África do Sul corre o risco de se repetir no Brasil. A advertência da Fifa funciona como estratégia de pressão. A mesma tática foi utilizada para acelerar os preparativos na África do Sul em 2008, dois anos antes do primeiro jogo, quando também foram constatados atrasos no cronograma de obras e, naquela ocasião, se sugeria a Alemanha como alternativa. Hoje, a África está pronta para realizar o Mundial. No caso do Brasil, a revelação do plano B tem o objetivo imediato de tentar engajar na marra as autoridades envolvidas. Com uma economia cinco vezes maior que a do país africano e sem as mesmas dificuldades de captar investimento, o Brasil está muito atrasado. Em 2006, com dois anos de preparação, os sul-africanos já haviam começado a construção de dois estádios, inclusive o Soccer City, o palco da abertura e da final do campeonato. No Brasil, para não dizer que tudo se encontra no marco zero, Mato Grosso é o exemplo de agilidade. Já começou a erguer os tapumes do canteiro de obras do futuro estádio.
O problema é que a Copa do Mundo não sairá do papel sem dinheiro público, segundo já admitiu a organização, o que necessariamente envolve políticos e a velha politicagem – a vilã do atraso do cronograma. Dos doze governadores que receberão as seleções em 2014, cinco estão disputando a reeleição, seis se esforçam para eleger seu sucessor e ainda há o caos político no Distrito Federal, uma das subsedes, que está sob a ameaça de intervenção federal. "Os governadores só vão encarar a Copa como problema deles depois da eleição", disse a Veja um técnico ligado ao comitê organizador do Mundial. E acrescentou: "Por enquanto, a Copa nada mais é do que uma peça importante de promoção dos políticos junto ao eleitorado, muito útil para angariar a simpatia financeira de empreiteiras interessadas na construção dos estádios e nas obras de infraestrutura". Pesa também o terrível costume dos governantes de não iniciar uma obra que possa ser capitalizada por um adversário. Os organizadores, por tudo isso, desconfiam que a preparação para o Mundial começará apenas a partir de janeiro do ano que vem. "Não existe plano B nenhum. A Copa será no Brasil", garante Rodrigo Paiva, assessor da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e membro do comitê organizador.
O governo federal soube da existência do plano B através de rumores que começaram a circular em Brasília após a visita de inspetores da Fifa em setembro de 2009. O recado direto, porém, chegou ao Ministério do Esporte por parlamentares e pessoas ligadas à própria CBF. A pedido do presidente Lula, o ministro Orlando Silva trocou uma eleição certa para a Câmara dos Deputados pela hercúlea missão de centralizar as ações da Copa. Diante da advertência e da aproximação do derradeiro prazo, o governo decidiu mostrar que não está parado. O primeiro sinal foi anunciar que as cidades-sede do Mundial podem ser reduzidas de doze para oito. "Nosso plano é eliminar quem não cumprir a data", advertiu o ministro do Esporte. Surtiu algum efeito. Na semana passada, a Bahia, assim como Mato Grosso, anunciou o início das obras de seu estádio – ou, mais precisamente, da instalação dos tapumes do canteiro de obras.
Embora, por enquanto, não represente mais que um simples blefe, o plano B para a Copa do Mundo de 2014 está muito à frente do plano A. Com

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