
A sensação era de alívio, após duas semanas de medo de que não conseguissem escapar do cenário de guerra que virou a região.
"Agora dá essa sensação de segurança, de que estamos quase em casa. Mas foi horrível. Foram dias de muito medo", afirmou, com lágrimas nos olhos, Maria Cleuda, que morava com o marido em Al Abya, cidade próxima de Benghazi.
Ela embarcou na manhã de sexta-feira, mas o navio teve de esperar o tempo melhorar para zarpar.
Saiu de Benghazi no sábado de manhã e levou cerca de 22 horas para chegar a Atenas.
Maria era uma das 25 brasileiras a bordo. Havia ainda 14 crianças.
"Depois que a gente embarcou, tudo ficou mais tranquilo. Mas até chegar ao porto, foram muitos momentos de terror. Precisamos passar por barreiras. Você via jovens com facas e metralhadoras na cintura. Havia gritaria nas ruas, tiros", afirma Roberto Roche, gerente de segurança da Queiroz Galvão na Líbia.
A maioria deixou muita coisa para trás. "Pegamos o que dava para levar

Ninguém afirma que nunca mais voltará para a Líbia. "Não sei. O futuro do país é muito incerto. Fizemos amigos lá, e não sabemos nem o que vai acontecer com eles", afirma Erika, mais uma que enche os olhos d'água ao falar.
Todos contam que os líbios de Benghazi foram muito solidários. "Sem a ajuda deles, não sei o que teria acontecido. Não saíamos às ruas. Eram eles que levavam comida, água, tudo para a gente", diz Erika.
Os brasileiros viajam amanhã cedo para Portugal. De lá, continuam num voo fretado até Recife, onde devem chegar às 22h.
ONU
O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou na noite deste sábado (26), por unanimidade, sanções severas contra o líder líbio Muammar Gaddafi, seus familiares e integrantes de seu círculo político. Essas sanções incluem a proibição das viagens de Gaddafi e o congelamento de seus bens.
A

A resolução aprovada tem por objetivo "atingir a ampla e sistemática violação de direitos humanos, incluindo a repressão de protestantes pacíficos". Os membros também manifestaram preocupação pela morte de civis, "rejeitando inequivocamente o incitamento de hostilidades e violências contra a população civil feita pelas mais altas autoridades do governo líbio".
A decisão das Nações Unidas ocorre na sequência de medidas semelhantes já adotadas pelos EUA. Obama assinou uma ordem executiva para congelar todos os ativos de Gaddafi, sua família e membros de seu regime.
Ontem, o presidente dos Estados Unidos, Barack

Os governos da Alemanha e Reino Unido e França apoiaram a decisão de Obama e pediram sanções severas ao país em conflito.
GUERRA CIVIL
Em entrevista à rede de televisão árabe Al Arabiya neste sábado, o filho do ditador líbio Muammar Gaddafi, Saif al Islam Gaddafi, disse que a escalada dos conflitos entre manifestantes e forças do governo podem levar o país a uma guerra civil ou à intervenção internacional na região.
O filho do ditador líbio também reconheceu que há "uma vontade interna de mudança" na Líbia, mas afirmou que os manifestantes estão sendo manipulados.
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