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domingo, 6 de setembro de 2009

As novas pílulas da juventude

Neste momento, alguns dos mais importantes cientistas da área do envelhecimento estão se dedicando ao estudo de duas substâncias: o resveratrol e a rapamicina. A primeira, extraída da uva, e a segunda, usada em transplantes, são hoje as promessas mais consistentes da ciência com potencial para barrar os efeitos do tempo e permitir ao homem realizar o sonho de viver mais. São as novas pílulas da juventude.
O resveratrol é o que se encontra em estágio mais próximo de chegar às prateleiras - embora isso vá levar alguns anos, mesmo considerando que as pesquisas continuem evoluindo bem. O composto é a estrela da empresa Sirtris, um braço da fabricante inglesa de remédios Glaxo Smith-Kline dedicado à criação de drogas contra doenças associadas ao envelhecimento. A companhia tem dois produtos à base de resveratrol sendo testados em seres humanos. Nas etapas anteriores, os remédios se mostraram seguros e bem tolerados.
O objetivo do estudo atual é testar a eficácia. Em grande parte dos trabalhos feitos em laboratório, com animais, a substância estendeu o tempo de vida das cobaias. Um dos trabalhos, feito há um ano sob o patrocínio do National Institute on Aging, dos EUA, revelou, por exemplo, que ratos submetidos a uma dieta calórica enriquecida com resveratrol viveram mais do que aqueles que não receberam a substância. O cientista Leonard Guarante, do Massachusetts Institute of Technology e um dos pioneiros na investigação sobre o poder do resveratrol, considera que pesquisas como esta são a prova do potencial do composto. "Acredito que conseguiremos uma pílula para prevenir e tratar os efeitos do envelhecimento", disse à ISTOÉ. "E o resveratrol é um forte candidato."
A comprovação do potencial da rapamicina é mais recente. Em artigo publicado em junho na revista "Nature", cientistas do Barshop Institute for Longevity and Aging Studies, da Universidade do Texas (EUA), demonstraram que a expectativa de vida dos animais usados foi elevada em até 38% após o uso da droga.
O resultado impressionou os pesquisadores. Descoberta na década de 70, a rapamicina é uma substância fabricada por uma bactéria encontrada no solo da Ilha de Páscoa. Sintetizada em laboratório, é usada após transplantes porque diminui a ação do sistema de defesa do paciente - nesses casos uma estratégia necessária para evitar a rejeição ao órgão transplantado.
Mais recentemente, algumas pesquisas sugeriram efeito antitumoral e também no combate ao acúmulo de proteínas que podem levar a doenças como o mal de Alzheimer. Foram essas ações que despertaram a curiosidade e levaram à investigação de sua capacidade antienvelhecimento. Mas os cientistas não imaginavam que os resultados fossem tão bons. "Seu desempenho nos surpreendeu", disse à ISTOÉ o pesquisador Arlan Richardson, diretor do Barshop Institute e coordenador do trabalho publicado na "Nature".
Um dos fatos que mais chamam a atenção nos estudos sobre as duas substâncias é que, embora tenham origens diferentes, elas apresentam a mesma ação contra o envelhecimento. Do que se sabe, os compostos enganam o organismo das cobaias, fazendo com que o corpo se comporte como se estivesse submetido a um regime de pouca ingestão calórica (leia mais detalhes no quadro abaixo). E isso é interessante porque há grandes indicações de que dietas de baixa caloria estendem o tempo de vida, como demonstraram trabalhos realizados em animais.
É verdade que isso não é consenso entre a comunidade científica. Professor do Departamento de Genética do Albert Einstein College of Medicine, nos EUA, o cientista Jan Vijg, por exemplo, defende que as pesquisas sobre as substâncias oferecem resultados que podem não ser repetidos em humanos. "Somos muito mais complexos do que as cobaias", disse à ISTOÉ. "E se mudarmos reações metabólicas por meio de remédios poderemos sofrer muitos efeitos colaterais", ponderou. Está aí o desafio: criar pílulas da juventude que de fato nos permitam viver mais, como parece ser o caso do resveratrol e da rapamicina. Mas elas também precisam nos fazer viver melhor.O GENE DA RUGA
Uma pesquisa publicada na última edição da revista "Nature Genetics" aponta um novo e interessante caminho de tratamento para o envelhecimento da pele. Um time de pesquisadores coordenado por Bruno Reversade, do Singapore's Institute of Medical Biology, descobriu que mutações em um gene específico são as responsáveis pelo desenvolvimento de uma condição que leva ao envelhecimento prematuro da pele. A doença é conhecida como "Síndrome da Pele Enrugada".Embora seja referente a um problema raro, o achado enriquece o conhecimento geral que se tem sobre as origens genéticas do envelhecimento cutâneo, reforçando uma linha de pesquisas que busca identificar e corrigir eventuais erros genéticos que podem estar por trás do processo. "Ficamos entusiasmados com a descoberta", disse Birgit Lane, participante do trabalho. "Ela abre novas possibilidades de pesquisa no campo do papel da genética no envelhecimento cutâneo."

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