
Sem apontar uma luz para os destinos do Brasil, o octopus alemão reduziu suas ambições e passou a analisar as eleições estaduais. Mergulhou na disputa do Distrito Federal, cujo governo, assim como ele, também se tornou acéfalo após a queda de José Roberto Arruda. Paul, o polvo, ficou espantado com o milagre da multiplicação dos peixes realizado pelo candidato comunista Agnelo Queiroz, ex-ministro do Esporte, cujo patrimônio cresceu 413% em quatro anos – foi de R$ 224,3 mil a R$ 1,15 milhão. Paul fez as contas e descobriu que a poupança ganhou 33,7% no período, enquanto o Ibovespa subiu 52,2%. As ações da Berkshire Hathaway, do lendário investidor Warren Buffett, renderam míseros 30,9%. “Esse Agnelo bate um bolão”, pensou Paul lá com seus botões. Em seguida, ele analisou a prestação de contas de Joaquim Roriz à Justiça Eleitoral. Descobriu que o patrimônio do adversário de Agnelo recuou 75% no mesmo período, porque o candidato lançou a zero o valor de suas vacas premiadas – um caso típico de “empobrecimento ilícito”.
Paul, então, nadou até Alagoas. E se surpreendeu ao saber que o ex-presidente Fernando Collor, aquele que perdeu o cargo por uma Fiat Elba, declarou a posse de uma Ferrari, uma Maserati, uma BMW, um Citroën e uma lancha. “Como é duro votar no Brasil”, ele pensou. E decidiu transferir seu título de eleitor para o Paraguai, um país onde são cumpridas até promessas de campanha que jamais foram feitas. Paul, é claro, referia-se à musa Larissa Riquelme. E, quando foi novamente instado a prever o resultado da eleição brasileira, o polvo mais uma vez se esquivou. Disse que antes teria que consultar seu oráculo. Ninguém menos que Mick Jagger, o pé-frio, que passou a bola para Ringo Starr, o beatle que compôs “Octopus’s Garden”.
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