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sábado, 2 de outubro de 2010

Após protestos, governo do Equador confirma ao menos oito mortos e 274 feridos

O governo equatoriano confirmou na noite desta sexta-feira que ao menos oito pessoas morreram e 274 ficaram feridas após os violentos protestos de policiais e parte dos militares no país, que também chegaram a manter o presidente Rafael Correa isolado dentro do Hospital da Polícia Nacional, em Quito.
O Ministério da Saúde informou em comunicado a morte de dois policiais e de seis civis durante os protestos de policiais para defender o pagamento de bônus e benefícios.Os dois policiais e um civil morreram no confronto em Quito. Os outros cinco morreram em Guayaquil. As Forças Armadas informaram a morte de um soldado nos enfrentamentos, segundo a mídia local, mas o governo não confirmou o falecimento.
A entidade também afirmou que 274 pessoas ficaram feridas, das quais 25 estão em estado grave. O governo declarou três dias de luto nacional pelas pessoas que morreram.
BALANÇOS CONFLITANTES
Mais cedo a Folha.com havia antecipado relatos conflitantes das autoridades equatorianas quanto ao número de mortos pelos conflitos.
O ministério do Interior inicialmente revisou para ao menos quatro o número de mortos pelas rebeliões e aumentou para 193 o número de feridos pelos confrontos, informou a agência estatal Andes.
"Temos quatro pessoas que morreram por esta absurda violência provocada por um punhado de insensatos", disse o ministro de Interior, Gustavo Jalkh, acrescentando que o governo decretou três dias de luto nacional.
Jalkh disse ainda que os quatro mortos seriam dois militares, um policial que protegia o presidente Correa e um estudante de 24 anos.
Ao mesmo tempo o ministro da Saúde, David Chiriboga, disse em entrevista ao jornal "El Comercio", ter conhecimento de cinco mortes pelos protestos.
NOVO COMANDO NA POLÍCIA
O general Fausto Franco assumiu nesta sexta-feira o comando de polícia do Equador, após a saída de Freddy Martínez, que renunciou em razão da rebelião de policiais contra a redução de seus benefícios salariais que trouxe o caos a diversas cidades do Equador.
Franco foi designado por Correa, que fará um expurgo na polícia após a revolta na véspera --que deixou ao menos quatro mortos e 193 feridos-- assinalou nesta sexta-feira o ministro do Interior, Gustavo Jalkh. Ao prestar juramento, Franco pediu aos agentes de "diferentes patentes que realizem seu trabalho com afinco, perseverança e paixão visando um país livre da delinquência".
"Estamos dispostos a mudar e realizaremos esta mudança", destacou o novo comandante da polícia equatoriana.
RENÚNCIA
Mais cedo o ex-chefe de polícia do Equador, Freddy Martinez, oficializou publicamente sua renúncia nesta sexta-feira, após uma rebelião de policiais ter levado o país ao caos ontem.
Ainda nesta sexta-feira a imprensa oficial equatoriana indicava que ele seria substituído interinamente pelo general Floresmilo Ruiz.
"Um comandante que foi agredido e desrespeitado por seus subalternos não pode seguir à frente da instituição", disse Martinez, segundo a agência de notícias Andes. Ele disse suspeitar que havia pessoas infiltradas nos protestos de policiais. "Temo que possivelmente houve infiltração de gente interessada em desestabilizar a polícia", acusou. Esclareceu ainda que apenas uma minoria participou dos protestos, pois a instituição tem mais de 40 mil agentes.
"Ontem foi um dia lamentável, crítico, caótico. Houve desordem por toda a parte, se desrespeitou o comandante geral, o ministro do Interior e, como se fosse pouco, o presidente da República. Os policiais, que têm o dever de manter a ordem e a tranquilidade dos cidadãos, ontem provocaram desordem", disse o chefe de polícia. Martínez defendeu o direito de a polícia apresentar reclamações, mas disse que "erraram o caminho".
"Que minha saída sirva para que as pessoas que queriam subverter a tranquilidades dos policiais não encontre apoio nesse caminho, simplesmente para que as coisas voltem a seu curso normal e os policiais voltem a trabalhar", disse.
SITUAÇÃO AINDA É INSTÁVEL
Mais cedo o governo do Equador informou que ainda não pode ficar totalmente tranquilo após os protestos e advertiu que atacará as raízes da manifestação que terminou num violento enfrentamento com militares. "Não podemos cantar vitória totalmente. No momento, a situação está controlada, mas não podemos confiar. A tentativa golpista possivelmente tenha umas raízes por aqui, e é preciso buscá-las e erradicá-las", disse o chanceler do Equador, Ricardo Patiño.
Violentos confrontos entre policiais e militares ocorreram na noite de quinta-feira durante uma operação para resgatar Correa de um hospital onde ele foi tratado após ter sido atacado por manifestantes.
OPOSITOR NEGA ENVOLVIMENTO
Apontado pelo presidente Rafael Correa como mentor dos distúrbios que levaram o caos ao Equador nesta quinta-feira, Lucio Gutiérrez estava bem longe de Quito quando membros da Polícia Nacional se sublevaram contra o governo.
Hospedado em um hotel de Brasília para --segundo ele mesmo-- observar o processo eleitoral do próximo domingo (3), o líder do Partido Sociedad Patriótica (PSP) conversou com a Folha por telefone e negou qualquer envolvimento com o levante policial. "Vim saber como funciona o processo de votação eletrônica", alega. "No Equador querem digitalizar as eleições, mas seguindo o modelo da Venezuela. Eu defendo que se utilize o sistema brasileiro."
Gutiérrez não interpreta o episódio como uma tentativa de assassinar Correa. "Se quisessem, o teriam matado dentro do hospital." O ex-presidente tampouco vê inclinações golpistas nas manifestações. "Ninguém quer derrubar Correa. Queremos que ele termine seu mandato, vá para casa e deixe os equatorianos em paz."

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