
Quando Valdemar de Brito chegou com Pelé ao Santos, eu já jogava no time profissional havia mais de um ano. Eu o vi treinar e logo levei fé. Então montaram um time misto que foi fazer um amistoso contra o Santo André, no ABC paulista. O jogo acabou 7 a 1. Quatro do Negão. E ele tinha 15 anos! Foi só o começo das minhas histórias com ele.
Chile 1964
Estávamos em uma excursão e ele estava tocando violão no hotel. Ele só ficava no quarto e não podia sair, porque, caso ousasse, era tumulto certo. Mas ele ficava entediado de ficar só trancado dentro dos hotéis. O Santos, naquela época, jogava vários campeonatos e ficava muito tempo fora, principalmente no Chile. Eu e Coutinho morríamos de pena dele e resolvemos armar um plano para tirá-lo do hotel. Eu chamava o Negão de “Júlio”, porque ele era ótimo jogando no gol e o Noroeste, naquela época, tinha um goleiro chamado Julião. Aí eu falei: “Ô, Júlio, vamos ao cinema”. Eu e Coutinho armamos tudo. Em frente ao hotel tinha um cinema. Compramos as entradas e esperamos a sessão começar para ele entrar só quando estivesse tudo escuro, para que ninguém o reconhecesse. Chegamos, ele sentou e ninguém viu. Passou um tempo, chega um cara e senta ao lado dele. O cara reconhece o Pelé e não dá um minuto de sossego. Liga um gravador que estava no bolso e começa a perguntar várias coisas a ele. Uma entrevista interminável. Ele ficou com muita raiva. Voltou para o hotel e não saiu mais do quarto. Santos década de 60
Estávamos na concentração do Santos. Eu e ele no quarto. Eu acordo de madrugada, viro para o lado e ele está lá fazendo polichinelos (um tipo de movimento de ginástica). Dormindo! Ele estava dormindo, sonhando e fazendo polichinelo! No outro dia tinha Santos x Corinthians. Pensei: “Coitado do Corinthians. Se ele já está assim dormindo, imagina acordado. Ele vai arrebentar com o Corinthians.” Fim de jogo. Santos 3, Corinthians 1. Preciso dizer quem marcou os três?
Trinidad e Tobago 1971
Fomos jogar por lá. Eu já tinha parado de jogar e er

Essa história eu não presenciei, me contaram tempos depois. Na época em que jogava no Cosmos, dos Estados Unidos, ele estava viajando e fez uma escala em Assunção. Estava muito cansado, pois voltava de Nova York. A aeromoça pediu que todos desembarcassem do avião, para que a limpeza pudesse ser feita. Ele a chamou num cantinho e pediu que o deixasse ficar ali. Explicou que não gostava de privilégios, mas que se saísse seria um tumulto e ele não teria sossego. Estava exausto e queria permanecer no avião. A moça não deixou. Insistiu que todos tinham de descer. Ele ficou com raiva. Quando olhou para o banco da frente, tinha um cara debaixo de uma coberta, num assento da primeira fila. Ele virou-se para a aeromoça e disse: “Pô, eu não posso, mas aquele cara pode ficar aqui dormindo?”. Ela respondeu: “É que morto não anda”. O homem tinha morrido a bordo. O Negão tinha pavor de gente morta. Isso o convenceu instantaneamente a deixar o avião.
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