
Entre gritos de felicidade, sirenes, aplausos e festejos, os 33 mineiros emergiram à superfície, um de cada vez, na diminuta cápsula Fênix, depois de percorrerem 625 metros num túnel escavado na rocha para esse fim.
Luis Urzua, de 54 anos, foi o último mineiro a ser resgatado. Ele liderou os mineiros durante todo o tempo, planejou as atividades e ações diárias e organizou os turnos.
Os trabalhadores ficaram presos na mina San José por causa de um desabamento em 5 de agosto. Durante 17 dias, acreditou-se que eles estavam mortos, até que uma pequena sonda conseguiu chegar à área onde eles se encontravam, trazendo de volta um bilhete que se tornou famoso: "Estamos bem no refúgio os 33".
"Nascemos todos de novo. O coração estava me saindo pela boca", comentou Yessenia Segovia ao ver a subida de seu irmão Víctor, que escreveu dezenas de páginas dentro d

Carlos Bugueño, de 27 anos, foi o 23o a ser resgatado. Como todos os demais, chegou num traje especial, para enfrentar a drástica diferença térmica, e com óculos escuros, para proteger a vista após o prolongado período na escuridão.
"Bem-vindo de volta à vida", lhe disse o presidente Sebastián Piñera, dando-lhe um abraço.
Todos os mineiros são levados de maca para um hospital de campanha montado ao lado do poço, e de lá para um centro médico na cidade de Copiapó. Em geral, apresentam boas condições de saúde. Somente um apresentava um quadro de pneumonia e estava sendo tratado com antibióticos, disse a jornalistas o ministro da Saúde, Jaime Mañalich.
A operação foi acompanhada ao vivo por televisões do mundo inteiro e por milhões de espectadores, segundo as autoridades.
RESGATE DIPLOMÁTICO
A operação de resgate acabou aproximando Chile e Bolívia, países vizinhos que não mantêm relações diplomáticas por causa de uma guerra no século 19, que privou os bolivianos do acesso ao mar.

Um dos mineiros é boliviano, e o presidente Evo Morales foi à mina San José para encontrá-lo e para agradecer Piñera pelos esforços.
Morales ofereceu casa e trabalho para o mineiro Carlos Mamani, que no entanto ficou de pensar melhor, segundo um dos seus dez irmãos, que viajou numa caravana de 35 parentes de Cochabamba até o hospital de Copiapó.
"Ele é um chileno a mais, assim deveríamos ser todos os países, todos irmãos," disse Víctor Zamora, outro mineiro resgatado, referindo-se a Mamani quando ainda era levado para o hospital de campanha.
Outro mineiro, Edison Peña, fã de Elvis Presley, recebeu dos Estados Unidos um convite para visitar Graceland, a mansão do cantor morto em 1977.
A festa no Chile começou logo depois da meia-noite, quando buzinas, aplausos e sinos soaram no país inteiro para celebrar o "parto da montanha."
O mineiro Mario Gómez, o mais velho do grupo, contou o que viveu aos presidentes do Chile e da Bolívia.
"A única coisa que eu queria era chegar em cima. A vida é uma só, e aqui a gente pensa que é preciso mudar. Eu mudei, sou um homem diferente", afirmou.
Com um humor indestrutível, Mario Sepúlveda, o segundo a ser resgata

"Estou muito contente!", gritou Sepúlveda, rindo, socando o ar e abraçando todos os que estavam à sua frente. Mas ele também soube falar a sério.
"Estive com Deus e estive com o diabo. Os dois brigaram por mim, e Deus venceu", disse ele numa entrevista coletiva posterior, na qual cobrou mudanças abrangentes para garantir a segurança dos trabalhadores.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, elogiou a operação. "Esse resgate é uma homenagem não só à determinação dos trabalhadores de resgate e ao governo chileno, como também para a unidade e a determinação dos chilenos, que inspirou o mundo", afirmou.
Ele não foi o único a felicitar o Chile. Piñera recebeu também telefonemas dos seus colegas do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; da Argentina, Cristina Kirchner; do Peru, Alan García; do México, Felipe Calderón; e da Venezuela, Hugo Chávez.
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