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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Sindicatos reclamam de precariedade dos trens na Argentina

Líderes do sindicato ferroviário apressaram-se em denunciar que o veículo acidentado é um Toshiba importado há pelo menos 40 anos e disseram que a deterioração do sistema de trens argentino acontece por falta de investimentos e manutenção.

Pelo menos 49 pessoas, entre elas uma criança, morreram nesta quarta-feira e 600 ficaram feridas em um acidente de trem ocorrido em uma das estações ferroviárias mais movimentadas de Buenos Aires.

A tragédia aparentemente foi causada por uma falha nos freios, mas as causas ainda estão sendo investigadas. Às 8h30 locais (9h30 de Brasília), o trem, composto por oito vagões, entrou na estação de Once a uma velocidade de 26 km/h e se chocou contra o sistema de amortecimento da plataforma.

O comboio, procedente da cidade de Moreno, na província de Buenos Aires, levava entre 800 e 1.000 passageiros que, em sua maioria, estavam a caminho do trabalho em Buenos Aires.

Autoridades apontaram a possibilidade de uma falha nos freios como causa do acidente, mas esperam o depoimento do maquinista, que ficou ferido, para esclarecer as circunstâncias em que ele ocorreu.

A empresa de TBA (Transporte de Buenos Aires), responsável pela operação do trem, divulgou um comunicado no qual afirma que o acidente "aconteceu por motivos não esclarecidos e que estão sendo feitos trabalhos de investigação".

SUCATAS

Mónica Slotauer, responsável pela limpeza da linha Sarmiento, afirmou que "os freios falharam por causa da falta de investimento" nesta linha férrea.

Os serviços ferroviários sucateados e lotados, operados por empresas privadas e fortemente subsidiados pelo Estado, são marcados por acidentes e atrasos.

"É responsabilidade da companhia que é conhecida por manutenção insuficiente e improvisação", disse o representante do sindicato dos funcionários ferroviários, Edgardo Reinoso.

"Por outro lado, há uma falta de controle por parte dos organismos estatais, incluindo a Comissão Nacional para Regulamentação do Transporte e a Secretaria do Transporte", disse Reinoso à rádio estatal.

Editoria de Arte/Folhapress

PASSAGEIROS

"Estávamos nos preparando para sair porque o trem estava diminuindo a velocidade, mas sentimos que ele freou de repente e o segundo vagão subiu sobre o primeiro. As pessoas caíram por em cima de mim, fiquei aprisionado", disse um dos sobreviventes, que se identificou como Marcelo.

"Estava em pé e de repente todos caíram, todo mundo estava desesperado, querendo sair, mas não era possível. Foi como um terremoto", relatou outra passageira.

Mais de cem ambulâncias e dois helicópteros participaram dos trabalhos de resgate para levar os feridos a hospitais da região. Equipes trabalharam por mais de quatro horas na estação e tiveram que cortar os tetos dos vagões para evacuar as vítimas.

Veja galeria de fotos do descarrilamento

Pelo menos 200 feridos continuam em estado grave, segundo fontes oficiais. Os hospitais da cidade se declararam em alerta e suspenderam consultas marcadas para atender casos urgentes.

Apesar dos esforços das autoridades de saúde e da polícia para evitar tumultos, centenas de familiares dos passageiros fizeram uma dolorosa peregrinação pelos diversos hospitais de Buenos Aires para localizar parentes.

O governo da cidade disponibilizou um telefone para informações sobre o paradeiro dos passageiros, e a imprensa local divulgou listas com nomes dos feridos internados para facilitar sua localização.

O Arcebispado de Buenos Aires expressou condolências aos familiares das vítimas, e a presidente argentina, Cristina Kirchner, suspendeu sua única atividade pública prevista para hoje, embora o Executivo não tenha informado se a decisão está ligada ao acidente.

SEM FREIOS

Autoridades dizem acreditar que a composição --que colidiu com a plataforma de embarque da estação Once-- possa ter perdido os freios. A suspeita se baseia nos primeiros testemunhos dos passageiros, que relatam que o trem entrou na estação em velocidade muito elevada.

"O trem entrou na estação a uma velocidade de 20 km por hora", afirmou o secretário de Transportes, Juan Pablo Schiavi, em coletiva de imprensa no terminal ferroviário, acrescentando que pode haver mortos.

"O acidente é muito grave. Há vagões sobre vagões, e um deles entrou seis metros dentro do outro. Tudo está filmado e será investigado", acrescentou Schiavi.

Fontes policiais também informaram que a composição -- que levava 2.000 passageiros-- ficou sem freios e se chocou contra a plataforma.

O mais recente acidente ferroviário ocorrido na Argentina foi em 18 de dezembro passado, quando uma locomotiva se chocou contra um trem repleto de passageiros parado em uma estação da periferia sul da capital, deixando 17 feridos.

Em 13 de setembro de 2011, nove pessoas morreram e 212 ficaram feridas no choque de dois trens e um ônibus em uma passagem de nível do bairro metropolitano de Flores (oeste), em um dos episódios mais graves dos últimos anos.

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