
O acréscimo no gasto com os cartões em 2010 deve-se em grande parte ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ligado ao Ministério do Planejamento - que consumiu R$ 19,3 milhões, ou três vezes mais do que em 2009. A elevação se explica pela utilização do recurso para o recenseamento da população feito no ano passado. Os agentes do IBGE custearam gastos de transporte, hospedagem e fizeram saques de dinheiro com o cartão. Do aumento total de R$ 15,5 milhões nos gastos do cartão corporativo, o Ministério do Planejamento responde por R$ 12,9 milhões, ou 83% do total.
A Presidência da República foi o segundo órgão que mais gastou em 2010 – R$ 18,9 milhões – aumentando em 26% suas despesas. O principal responsável pelo aumento na Presidência foi a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), que elevou em 66% os gastos – de R$ 6,8 milhões para R$ 11,2 milhões. O motivo do aumento, porém, não é divulgado por se tratar de “informações protegidas por sigilo, para garantia da segurança da sociedade e do Estado

Ainda de acordo com o levantamento da Contas Abertas, feito a partir de dados coletados no Portal da Transparência, quem mais gastou desde 2001 com o cartão foi a Presidência da República, com R$ 105,5 milhões. Não se pode, no entanto, acessar a discriminação de como foi gasto esse valor, pois ele também é sigiloso.
De acordo com o Ministério do Planejamento e a Controladoria-Geral da União (CGU), o aumento de gastos é entendido como normal em razão do recenseamento e também da inflação (que foi de 5,9% em 2010, segundo o IPCA). A auditoria dos gastos feitos pelo IBGE em 2010, ainda segundo a CGU, deve ser completada só no fim do 1º semestre de 2011, seguindo os prazos do órgão. A fiscalização dos gastos da Presidência – incluindo a Abin – não cabe à CGU.
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