Merval Pereira
A
proximidade do julgamento do mensalão parece estar desestabilizando
emocionalmente o ex-presidente Lula, que se tem esmerado nos últimos
dias em explicitar uma truculência política que antes era dissimulada em
público, ou maquiada.
A
pressão sobre ministros do STF, a convocação da CPI do Cachoeira, com
direito a cartilha de procedimentos com os alvos preferenciais
identificados (STF, imprensa, oposição) e as atitudes messiânicas,
sempre colocando-se como o centro do universo político, revelam a alma
autoritária deste ex-presidente ansioso pela ribalta política.
A
eleição de Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo e a obsessão
em desmoralizar o julgamento do mensalão (já que não conseguiu adiá-lo
para que seus resultados não interferissem na eleição municipal e, além
disso, a prescrição das penas resolvesse grande parte dos problemas
judiciais do PT) pareciam as duas grandes tarefas do ex-presidente Lula
neste momento.
Mas ele, de
voz própria, revelou seu verdadeiro objetivo político no programa do
Ratinho: não permitir que um tucano volte a governar o país.
Nunca
antes nesse país viu-se um político assumir tão abertamente uma postura
despótica, quase ditatorial, quanto a de Lula nessa cruzada nacional
contra os tucanos, que tem na disputa pela capital paulista seu ponto
decisivo.

A
truculência com que foi impedida a distribuição gratuita da revista
"Free São Paulo", que trazia uma reportagem de capa sobre o assassinato
do prefeito petista de Santo André Celso Daniel, é exemplar do que o PT e
seus seguidores consideram "liberdade de imprensa".
Os
petistas acusam a revista de ser financiada pelo PSDB, o que ainda é
preciso provar, mas, mesmo que seja, seria no mínimo incoerente
criticarem tal estratégia, já que são estatais de diversos calibres e
governos petistas que financiam uma verdadeira rede de blogs
chapas-brancas e revistas para defenderem as ações governistas e
demonizar seus adversários, em qualquer nível.
Da
mesma forma, parece ironia que líderes petistas se mostrem indignados
com financiamentos eleitorais de caixa 2 de políticos tucanos, como se
esse crime fosse uma afronta ao Estado de Direito e não, como disse o
ex-presidente Lula tentando minimizar o caso do mensalão, coisa
corriqueira no sistema eleitoral brasileiro.

Acaba
de ser publicado em edição eletrônica (e-book) e deve sair na segunda
semana de junho em edição impressa o relatório do Clube de Roma com o
título de "2052, previsões globais para os próximos 40 anos", coordenado
pelo professor Jorgen Randers da BI Norwegian Business School,
especialista em questões climáticas e planejamento de cenários que
servirá de base para a programação do Clube de Roma durante a reunião
Rio + 20.
Randers já esteve
no Brasil no início de maio, depois de lançar o relatório, para
depoimento no Congresso em preparação para a Rio + 20.
Trata-se
de um estudo feito por 30 pensadores nos mais variados campos e tem o
objetivo de atualizar o famoso estudo do Clube de Roma de quarenta anos
atrás intitulado "Os limites do crescimento", que já questionava o
modelo de crescimento permanente.
Desta
vez, o diagnóstico é conclusivo: a Humanidade vem se excedendo no uso
dos recursos da Terra. A maneira atual de vida não pode ser mantida por
gerações, e está a exigir modificações significativas para evitar
colapsos locais antes de 2052.
O
estudo admite que o processo de adaptação da Humanidade às limitações
do planeta já começou, mas a resposta talvez seja lenta demais. A China é
considerada um exemplo de país que sabe agir na direção certa, e por
isso chegará a 2052 bem preparado.

Se
esse processo não for controlado, em 2080 as temperaturas terão
aumentado em 2,8 graus centígrados - nível suficiente para iniciar um
aquecimento global autossustentado.
Segundo
o relatório, a principal causa da incapacidade de resolver hoje
problemas futuros é o modelo imediatista, com foco político e econômico
no curto prazo.
Randers
defende um sistema de governança de mais longo prazo. No entanto, é
pessimista quanto aos resultados, pois não acredita que os governos
adotem uma regulamentação que obrigue os mercados a investir em soluções
climaticamente corretas, e, segundo ele, não devemos acreditar que os
mercados trabalharão em benefício da Humanidade.
As
previsões do documento do Clube de Roma sobre a economia global também
não são nada animadoras. As atuais economias dominantes, especialmente
os Estados Unidos, entrarão em estagnação, e países como os que formam
os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) terão
progressos, mas o PIB mundial crescerá muito mais lentamente, devido à
redução do crescimento da produtividade em economias mais maduras.
Em 2052, ainda haverá 3 bilhões de pobres no mundo.
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