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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Fortaleza é opção para construir carreira

Migrar para ´a cidade grande´, rumo a oportunidades de obter uma carreira de sucesso, caminho esse quase que automático há algum tempo, começa a ser uma decisão repensada por profissionais locais. Fortaleza foi apontada este ano, através de estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), como a 21ª no ranking das melhores cidades do País para se fazer carreira.A posição poderia ser bem melhor, e há ainda muito a desenvolver na 4ª maior cidade do Brasil em população. Mas, à medida que ela e seu entorno crescem, novas áreas de atuação despontam, as antigas se especializam e as chances se multiplicam para os que sabem investir na sua capacitação.A avaliação da Fundação teve início há oito anos, e São Paulo surgiu como a líder no ranking. Surpresa nenhuma, é claro. O estudo, desde então, passou a ser realizado anualmente, trazendo sempre a capital paulista na liderança. A surpresa é que, observando a idéia de carreira não somente como a obtenção dos melhores salários, mas se acrescentando outros fatores que envolvem a qualidade de vida, notou-se que as oportunidades, aos poucos, vêm se descentralizando.A lista traz 100 cidades, colocando Fortaleza como a 12ª entre as capitais brasileiras. As primeiras colocações ficam mesmo com o Sudeste e o Sul. Em relação à Região Nordeste, a capital cearense é a terceira colocada, ficando atrás de Recife (12ª no ranking geral) e Salvador (15ª).O incremento da renda do brasileiro, nos últimos anos, fez com que um mercado consumidor até então pouco expressivo emergisse do Nordeste e estimulasse a instalação de várias empresas no segmento do varejo, entre elas grandes redes multinacionais, nesta região. Além disso, a nova fase da industrialização vivenciada por estes estados tem demandado, e de forma intensa, profissionais em áreas que vinham sendo pouco exploradas, ou mesmo inexploradas.Os maiores pólos industriais dessas principais capitais nordestinas, localizados nas suas respectivas regiões metropolitanas (Pecém, no Ceará; Suape, em Pernambuco, e Camaçari, na Bahia) criam novas oportunidades para quem quer fazer carreira nas áreas requeridas pelas empresas lá instaladas. Assim, profissionais destas capitais não precisam mais, necessariamente, ´fazer as malas´ e seguir o antigo curso rumo às regiões Sul e Sudeste.Entretanto, o aumento dessa nova demanda não vem sendo acompanhado, na mesma velocidade, pelo incremento da oferta de pessoal capacitado nestas regiões. Como conseqüência disso, o caminho da migração acaba saindo pelo oposto ao convencional, ou seja, a solução para muitas empresas é importar mão-de-obra das cidades que oferecem esses profissionais formados.´Por conta da qualidade de vida, muita gente está indo para o Nordeste, ou para cidades menores´, avalia o professor Roberto Pascarella, pesquisador associado do estudo da FGV, coordenado por Moisés Balassiano. ´No Norte e Nordeste, há muita carência de pessoal qualificado, e é normal essa importação´, comenta.E, segundo ele, essa discussão é uma das finalidades da pesquisa. Além de ajudar nas escolhas dos próprios profissionais, o estudo ajuda as empresas na avaliação de onde instalar uma nova unidade filial e mostra à gestão pública onde estão os gargalos a serem superados nestas cidades, para se tornarem cada vez mais atraentes para aqueles que investem em uma carreira de sucesso. PIB PER CAPITA E ISS-A posição da Capital cearense entre as melhores cidades do País para se fazer carreira seria bem melhor se o incremento na sua economia tivesse acompanhado o rápido crescimento populacional verificado nos últimos anos na cidade. Apesar de possuir, de acordo com os dados mais recentes do IBGE, que datam de 2006, o 14º maior PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, quando se divide esse bolo pelo número de habitantes (o que representa o PIB per capita), a cidade cai para fora da lista dos 100 primeiros municípios melhores posicionados.A pesquisa da FGV analisou os municípios com mais de 170.000 habitantes e com um total de depósitos bancários à vista superior a R$ 210 milhões. Em um total de 127 cidades, a análise se deu levando em consideração três aspectos: o vigor econômico, a educação e a saúde. Nesses dois últimos itens, Fortaleza mostrou um significativo avanço ao longo dos anos. Foi o terceiro, que considera os dados per capita do PIB e do ISS (Imposto sobre Serviços), que puxou a capital cearense abaixo.Na dimensão da educação, são considerados o número de cursos de graduação, mestrado e doutorado, além das matrículas e concludentes de cursos de graduação no município. Já na área de saúde, são levados em conta pela FGV o número de profissionais (médicos e enfermeiros) e oferta de leitos, ambos por mil habitantes.Na conjunção desses aspectos, no ano de 2005, Fortaleza chegou a garantir a 10ª colocação no ranking geral da pesquisa, mantendo-se nessa posição em 2006. Desde 2005, a Capital cearense foi registrando melhoras no que dizia respeito à educação e saúde, subindo, cada vez mais, na lista.Contudo, em sentido oposto, vinha o item vigor econômico, no qual a cidade caiu da 86ª colocação, em 2005, para 104ª, em 2009. Foi este fator que empurrou Fortaleza à 21ª colocação geral.

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